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Com Carros, Pixar pergunta o que realmente é vencer

* Artigo publicado por Daniel Bydlowski no jornal A Tarde

Por mais que Carros 2 tenha sido um fracasso em comparação a outras produções da Pixar, tornando a existência de um terceiro filme surpreendente, o estúdio conseguiu colocar seu carro mais famoso de volta na competição entre grandes estúdios de animação com Carros 3. Vale apena traçar a evolução da franquia e de seu personagem principal, Lightning McQueen, interpretado por Owen Wilson.

O primeiro filme da franquia apareceu em 2006. Na época, alguns cineastas e animadores reclamaram que seus personagens, sendo carros antropomorfos, eram muito parecidos com animações antigas da Disney já fora de moda. Porém, com um roteiro excelente, o título entrou para a história do cinema e da animação.

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O roteiro do primeiro filme lembra bastante a estrutura de The Karate Kid, dirigido por John G. Avildsen, onde um garoto sem experiência aprende a lutar caratê com um mestre da arte marcial, vencendo um campeonato pela sua honra. Porém, em Carros, a luta é substituída por uma corrida de veículos. Neste universo, Lightning McQueen é um competidor novo e inexperiente que quer ganhar a maior corrida de carros do mundo. Porém, acaba ficando preso em uma cidade em ruínas e tendo que fazer tarefas como reparar a rua da cidade, após destruir acidentalmente a mesma. Embora Lightning considere estas tarefas uma distração (e um pesadelo) a princípio, ele acaba encontrando a motivação necessária para competir. Mais importante, ele encontra Doc Hudson, um legendário vencedor, aposentado contra sua própria vontade, que o ajuda a ganhar a corrida. O enredo se desenvolve ao redor da importância de ser modesto e do valor de relembrar e honrar o passado.

Carros 2, infelizmente, muda bastante a estrutura do primeiro filme e seu enredo é inspirado por filmes de máfia. Aqui, Lightning McQueen, que já foi campeão quatro vezes, quer vencer uma importante corrida em Tóquio. Porém, os vilões do filme pretendem desestabilizar a corrida e lucrar com isso. Com bombas e explosões, o filme foi considerado em 2011 um dos piores filmes da Pixar. Porém, devido ao sucesso do primeiro filme, Carros 2 teve ainda maior sucesso de bilheteria, o que explica a existência no novo filme.

Se Carros 2 desviou nossas atenções do esporte preferido de McQueen, Carros 3 nos faz mergulhar de cabeça na paixão original do personagem. Voltando a ser inspirado por filmes de luta, o enredo do novo filme lembra bastante os últimos filmes de Rocky, personagem criado por Silvester Stallone, onde o boxeador veterano precisa competir com lutadores muito mais fortes e que treinam com equipamentos de ultima geração. Para isso, Rocky precisa inovar o seu tipo de treino e usar sua experiência para vencer.

Em Carros, o agora veterano Lightning McQueen precisa fazer o mesmo para ganhar de Jackson Storm, em uma corrida que pode ser sua última. Não querendo envelhecer e se aposentar, Lightning experimenta os tipos de treinamentos de última geração possíveis. Porém, somente quando encontra a antiga cidade de seu antigo mestre e amigo, Doc Hudson, que Lightning consegue entender o que precisa para ganhar. Embora a bilheteria não tenha tido muito sucesso, também por conta do fracasso de crítica do segundo filme, Cars 3 merece uma posição na corrida entre grandes estúdios, já que volta o enredo às origens que tornaram Lightning McQueen famoso.

Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro com Masters of Fine Arts pela University of Southern California e doutorando na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. É membro do Directors Guild of America. Trabalhou ao lado de grandes nomes da indústria cinematográfica como Mark Jonathan Harris e Marsha Kinder em projetos com temas sociais importantes. Atualmente, está produzindo NanoEden, primeiro longa em realidade virtual em 3D.