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"'Verdades Secretas' é uma ofensa", diz dono de agência de modelos

verdadesMarcus Panthera foi um dos primeiros e mais famosos modelos masculinos nos anos 70 e 80. Trabalhou em praticamente toda a Europa, Estados Unidos e na Ásia.

Quando deixou as passarelas e estúdios de fotografia, se tornou empresário e criou a Mega Brasil, e depois a Mega Miami e a filial de Milão. Trata-se de uma das mais famosas e mais desejadas agências por modelos de todo o mundo.

Entre outras estrelas, Panthera trabalhou com Shirley Malmann, Carol Francischini, Fabiana Saba, a global Letícia Birkheuer, Isabela Fiorentino e Valentina Zeliaeva, entre outras.

Para ele, a nova mininovela das 23h da Globo, “Verdades Secretas”, é uma “ofensa a todos os profissionais sérios do mundo da moda”.

“A novela cria estereótipos que só prejudicam as agências e depõe contra profissionais sérios – tanto empresários como modelos”, diz.

O empresário Marcus Phantera, dono da agência Mega Models

Se a novela tivesse sido criada nos EUA, afirma esse brasileiro com cidadania norte-americana, ele diz que processaria o autor Walcyr Carrasco por danos morais.

“Nós lutamos para acabar com esse estereótipo idiota, que só existe no Brasil, aliás, de que modelo masculino é sempre gay, e que as modelos são sempre prostitutas. Aí vem esse velhaco (Carrasco) nos afrontar com esses absurdos.”

A central de comunicação da Globo (CGCom) respondeu às críticas do empresário e disse que “as novelas são obras de ficção sem compromisso com a realidade, como registramos ao final de cada capítulo. Ao recriar livremente situações que podem ocorrer na vida real, a dramaturgia busca apenas tecer o pano de fundo para suas histórias, nunca com a intenção de ofender qualquer categoria profissional”.

UOL Você é dono de uma das agências mais famosas do mundo. Qual sua opinião sobre os primeiros capítulos de “Verdades Secretas”, que trata do seu mundo?
Marcus Panthera –  Uma ofensa a mim e a todos que, como eu, trabalham e trabalharam duro para que nosso mercado fosse levado a sério. O autor disse que “estudou o mercado” para se preparar, o que é uma mentira. Basta ver como ele apresenta a sua agência ficcional de modelos e como as coisas funcionam lá. Ele deveria mostrar a realidade. Ele mostra deslizes que acontecem em todas as carreiras.

Em São Paulo, por exemplo, existem 10 grandes agências de modelos e uma única vez se comentou que uma delas poderia ter garotas (de programa). Só que nunca ninguém provou nada. Se isso acontecesse aqui nos EUA [a novela], eu o processaria por perdas e danos e ele teria de provar o que escreve, bem como seu “estudo”. Temos profissionais que, como eu, lutaram para acabar com esse estereótipo idiota que modelo masculino é gay e que feminina é puta. Aí vem esse velhaco nos afrontar com esses absurdos.

Por outro lado, tenho de falar que a direção e a fotografia estão excelentes, o que deixa mais puto ainda, pois poderiam fazer uma história mais real. Seria mais interessante. Esse autor diz que pesquisou o mundo das modelos e agências. Conversa mole. Imagine só a pesquisa dele. Se tivesse ido a uma agência profissional não mostraria esse relato patético.

UOL – Você diz que a novela reforça o estereótipo de que modelo e garota de programa é a mesma coisa…

Panthera – Lógico! Evita que novas meninas entrem na profissão. Eles se esquecem que várias destas meninas trabalham duro e sério, sustentam suas familias! Elas ajudam suas famílias em tudo, até na educação dos irmãos. Elas ficam sozinhas, viajando pelo mundo longe de seus familiares, passando um monte de sufocos, mas são sempre dignas. Fico com muita raiva em saber que estas meninas de ouro são comparadas pela Globo como putas baratas.

UOL – Ok, mas você não acha que no fim das contas o telespectador comum vai acabar entendendo que tudo não passa de ficção?
Panthera – Ok, mas o velhaco não falou que “estudou o mercado”? Isso, claro, dá uma falsa impressão de que o que ele mostra é a realidade.

UOL – Pelo seu conhecimento na área, existem de fato agências “malignas” como a demonstrada na trama?
Panthera – Minha pergunta é: existem agências que agenciam suas modelos para que façam programa? Deve existir, mas isso é exceção. Você sabe bem quantas modelos internacionalmente famosas nós temos. Eu ponho a minha mão no fogo se elas fizeram programas para chegar aonde estão. Agora vamos falar de atrizes? Pior: vamos falar de atores jovens? Por acaso alguns desses jovens precisou se deitar com algum novelista velhote pra ganhar um papel na TV?

UOL – Mas não há certa confusão natural pelo fato de lugares que agenciam garotas de programas também se intitularem como “agências”?
Panthera – Não existe isso. O que existe são mulheres de todas as profissões ou sem profissões definidas que resolvem trabalhar como garotas de programa. Não existe essa asneira de agência de prostituição que também “booka” modelo de moda. Agência de prostituição: o nome já diz tudo.

UOL – Anos atrás, em uma entrevista ao UOL, você declarou que muitas modelos brasileiras, não todas, quando chegam ao exterior são acometidas de uma espécie de “sindrome de Gisele”. Elas se acham lindas, perfeitas, se tornam indolentes, mimadas, preguiçosas e querem cobrar muito, talvez pelo simples fato de serem do mesmo país de Gisele Bündchen. Isso ainda é um fato ou as novas modelos aprenderam algo nos últimos anos?
Panthera – Sim, ainda acontece com algumas jovens brasileiras e é exatamente por causa disso que nossas principais modelos estão aí na casa dos 30 anos.Só que agora existem agências no Brasil fazendo um trabalho de conscientização fantástico com as chamadas “newfaces” (novos rostos da moda). Graças a esses profissionais, tudo isso está mudando.

UOL – Aí retomo a pergunta: por que Gisele ainda é a maior modelo brasileira? Por que não surgiu nenhuma nova estrela? Ela ofusca as novas candidatas ao estrelato?
Panthera – A resposta está embutida acima. A Gisele sempre foi um exemplo de profissionalismo e seriedade. Abriu muitas portas para outras modelos brasileiras. Mas elas podem copiá-la apenas em sua seriedade e dedicação.

Fonte: UOL